Valsa n°6
De Nelson Rodrigues
Direção: Clara Carvalho

   Fragilidade, teu nome é mulher

Em 1951, Nélson Rodrigues escreveu para Dulce, sua irmã caçula, o único monólogo de sua obra: a história de Sônia, uma adolescente de 15 anos, morta com uma facada nas costas, aparentemente dada pelo médico da família, enquanto ela tocava a Valsa nº 6, de Chopin.

A encenação surgiu a partir do trabalho desenvolvido pela atriz Marina Ballarin nas oficinas profissionais do Grupo Tapa e é o primeiro trabalho de direção da atriz Clara Carvalho. Depois de Mão na Luva, de Vianinha, em janeiro de 2009, este é a segunda encenação, fruto das oficinas coordenadas por Brian Penido Ross e Guilherme Sant’Anna, sob supervisão de Eduardo Tolentino de Araújo, que entra em cartaz este ano em São Paulo. O espetáculo estréia dia dez de outubro, no mesmo Espaço Viga (desta vez na sala piscina), com temporada sábados e domingos.

Como assinala Sábato Magaldi, Valsa nº 6, com suas fragmentações, rupturas cronológicas e diferentes registros de linguagem, tem grande parentesco psicológico com Vestido de Noiva, do mesmo autor: as duas protagonistas habitam a mesma região nebulosa, entre a vida e a morte. Alaíde, a mulher atropelada no bairro da Glória, no Rio de Janeiro, agoniza na mesa de operações, enquanto Sônia, parece despedir-se de si mesma, em seu próprio velório.

Quando a peça começa, a menina Sônia parece estar suspensa por fios tênues, numa espécie de portal espiritual, tentando entender o que aconteceu com sua curta vida. Ela lembra-se de que é Sônia, mas esta identidade parece, a todo momento, distanciar-se dela e surpreendê-la com atos e pensamentos nos quais ela não se reconhece. A melodia da valsa de Chopin – também é conhecida como “Valsa do Minuto” – retorna insistentemente, apesar de seus esforços em silenciá-la.

Quem é Sônia? Não sabemos. Com seus ecos radiofônicos de novela policial, o texto é uma colagem quase cubista de suas muitas facetas. Temos várias Sônias: a Sônia menina-de-família; a Sônia mulher, com suas frases de folhetim; a Sônia narradora irônica e distanciada, a Sônia-coro, que arremeda vizinhos, empregados e pessoas de seu próprio velório e até a Sônia-cavalo, que a certa altura “recebe” uma entidade agressiva.

Em alguma medida, parece ter ecoado em Nélson a matriz feminina da Ofélia, de Shakespeare, na construção desta menina-moça, cuja consciência se desagrega entre as flores do velório “real” em que seu está seu corpo, e o fluxo do rio-tempo, onde bóiam nomes e fatos que a todo momento Sônia tenta pegar e interpretar. Apresentamos aqui nosso exercício sobre esta valsa breve, dentro da qual se movimentam o corpo e a alma de Marina Ballarin.

FICHA TÉCNICA

Autor: Nelson Rodrigues

Direção: Clara Carvalho

Elenco: Marina Ballarin

Concepção / Cenário / Sonoplastia: Clara Carvalho e Marina Ballarin

Figurino: Lola Tolentino

Iluminação: André Canto

Efeitos Sonoros: Carlos Paga

Designer Gráfico: Carlos Dränger e Julia Dränger

Fotografia: Paulo Emilio

Assessoria de imprensa: André Canto

Co-produção: Grupo Tapa

SERVIÇO

Valsa n°6

Duração: 50 min

temporada: de 10 de outubro a 29 de novembro

sábados 21h / domingos 19h

Ingressos: R$ 30,00

entrada: Meia entrada para estudantes, idosos e classe artística

Faixa etária: Recomendado para maiores de 14 anos

Capacidade: 40 lugares

A bilheteria funcionará nos dias do espetáculo uma hora antes da sessão.

Viga Espaço Cênico

endereço: Rua Capote Valente, 1323 (Metrô Sumaré – entre a Heitor Penteado e Av. Sumaré)

Informações e reservas: (11) 3801-1843